RESENHA: LIVRO A CULPA

Não tenho como não começar esse livro com um grande e sonoro UAL. A Culpa foi escrito pelo autor Gustavo Felipe Monteiro de Castro, publicado pela Editora Scortecci e com 198 páginas de muita culpa e aflição.

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Em A Culpa, Gustavo começa retratando a história de Toninho, um garoto de família rica, com 9 irmãos e uma vida feliz e saudável. Até que uma enorme crise abateu a sua família, e eles tiveram que se adaptar com uma vida mais simples. No novo bairro, apesar de toda a dificuldade, Toninho cresceu saudável e feliz junto de seus irmãos e de sua irmã Joana, a quem ele era muito apegado. Porém as tragédias na família de Toninho não haviam acabado, por conta de uma escolha houve uma série de acontecimentos devastadores. A morte de Joana, seguida da morte do pai, e uma culpa imensa que assolou a mente de Toninho, ocasionando uma sequência de doenças físicas e mentais, fazendo-o permanecer inerte em seu remorso, entrando frenquentemente em um mundo paralelo de lembranças, e fazendo com que sua mente atrofiasse a cada dia. Após algumas tentativas a família de Toninho acabou internando-o em um hospital psiquiátrico, onde Toninho, com apenas 18 anos, cruza com diversas histórias diferentes, e vive inicialmente momentos de terror entre os internos, com uma realidade triste e desumana, comum nos manicômios daquela época.

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Dentre tantas histórias relatadas no livro, Toninho cruza com o segundo personagem, ou personagens. Geraldo/Tranvestino era um dos Jovens mais ricos de sua cidade, que acaba se deparando com um transtorno dissociativo de personalidade, ou dupla personalidade, o que faz com que toda a sua vida tome um novo rumo. Entre uma personalidade e outra ele vive duas realidades diferentes, duas personalidades opostas. A partir daí qualquer informação é spoiler demais.

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A Culpa é um livro pesado, forte, difícil, mas com um desenrolar impressionante. Te faz enxergar como a culpa e o arrependimento podem se tornar fardos tão pesados ao ponto de fazer com que o ser humano entre em um estado mental perturbador. Todas as histórias dos internos do manicômio são impressionantes, e toda a vida que eles levam lá dentro é amedrontadora, angustiante. Definitivamente não é um livro de felizes para sempre, mas sim um livro de consequências. Gostei muito do livro, desde o título impactante até a história que fez jus ao mesmo.  Mas só lendo para entender e descobrir que atos foram estes que fizeram com que estes jovens mergulhassem em tal estado. Vai por mim, ao contrário do nome do livro, você não vai se arrepender de lê-lo. 😉

Você pode comprar o livro na Livraria Asabeça. 

 

 

RESENHA: LIVRO “O QUE HÁ DE ESTRANHO EM MIM”

Faz tempo que venho querendo resenhar esse livro, na verdade faz uns dois meses que o li, mas confesso que foi um livro que me fez pensar bastante, fazendo com que eu adiasse a resenha dele. O que há de estranho em mim foi escrito pela autora Gayle Forman, publicado pela editora Arqueiro e tem 214 páginas de uma história impactante.

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Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade.
Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão.
Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.

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Brit é uma adolescente comum de 16 anos, está no ensino médio, tem notas medianas, tem mechas rosas no cabelo, e faz parte de uma banda de Rock, uma das únicas coisas que ela amava fazer de verdade. Brit morava com o pai, o irmão mais novo e sua madrasta, apelidade pela garota de “A monstra”, sua mãe tinha diagnóstico de Esquizofrenia, e um dia saiu de casa e não voltou mais, após alguns anos o pai iniciou o novo relacionamento. Brit era como todo adolescente, tinhas seus momentos de revolta, complementada pela tristeza e pela turbulência que a mãe deixou em sua vida quando foi embora.

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O pai de Brit, sem saber o que fazer com toda a rebeldia da filha, decidiu que a melhor saída seria interná-la em uma espécie de reformatório/internato/clínica., chamado Red Rock, o que já começa errado quando ele praticamento engana a garota, falando que iriam fazer uma viagem, quando na verdade estava levando-a para a clínica. Brit fica literalmente passada/chocada/decepcionada e sem acreditar que o pai havia feito isso com ela.

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No início Brit se isolou dentro da instituição, até conhecer cinco amigas, que passaram a fazer parte da vida dela e compartilhar tudo umas com as outras. Dentro do Rede Rock Brit começou a ter aulas, fazer parte de grupos de “terapia” (bem duvidosos), de programas que supostamente a transformariam em uma adolescente “normal”, aliás a instituição era pra “ajudar” jovens problemáticos. De fato haviam algumas jovens que precisavam de ajuda terapêutica, mas definitivamente aquele não era o lugar certo, e algumas meninas não tinham nada de anormal, nem de problemático, eram apenas jovens com suas opções sexuais, com suas calças 44, com vontade de curtir a vida, com desinteresse pelo mundo fashion. Apenas adolescentes com suas próprias vontades. Brit não aceitou as regras do local, e começou a achar tudo muito estranho e duvidoso, o que a levou, junto com suas amigas, uma saga atrás de verdade, justiça e liberdade. E claro que ela tem uma motivação fora dali, um romance que se desenrola docemente durante o livro.

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Como eu disse anteriormente, esse livro me fez pensar muito, mas resumindo gostei muito do livro, pois vivemos em tempos de busca pelo empoderamento feminino, e o que alguns pais fazem (no livro e na vida real) é totalmente ao contrário, eles querem escravizar suas filhas ao padrão considerado normal da sociedade, querem que elas se encaixem onde elas na verdade não querem se encaixar, vivemos em um mundo onde o que é normal é fazer o que é imposto pela sociedade, sem nossos cabelos coloridos, escravos da beleza padrão, com corpos esculturais quase que utópicos. O que importa tudo isso quando na verdade tudo que queremos vestir é a felicidade? Assim como Brit, devemos lutar para não sermos mais um robozinho controlado para fazer o que dizem ser “bonito e aceitável”.

 

Se já leu esse livro me conta o que achou, se não me conta o que achou também ❤